Como todos sabem, está agendado para o próximo final de semana o lançamento da nova versão do Ubuntu. Esta versão promete muitas alterações e, dentre todas, a mais comentada é a utilização do Unity como interface padrão. Para conferir todas essas novidades, decidi fazer o download da versão Beta 2 disponível para download no site oficial do Ubuntu através do link
http://www.ubuntu.com/testing/natty/beta.
A princípio fiz o download da versão 32bit para testar no Virtualbox 4.0.4 rodando sob o Ubuntu 10.10. Não consegui fazer a interface Unity funcionar na máquina virtual mesmo realizando passos descritos em diversos tutoriais disponíveis na internet. Então decidi realizar o download da versão 64bit para testar através de pendrive de boot. Foi aí que não resisti e instalei o sistema, mesmo que ainda beta. Estou há alguns dias utilizando no meu notebook a versão 64bit e tenho explorado muito a nova interface e recursos.
O ponto principal, o Unity, realmente é a atração principal dessa nova versão do Ubuntu 11.04. Ao contrário do que muitos acham,
o Ubuntu não abandonou o Gnome. O desktop está rodando sob o Gnome, porém com os painéis do
Unity, antigo conhecido dos usuários da versão Netbook Remix. Esta nova interface traz consigo vários recursos disponíveis no Compiz Fusion até então pouco utilizados pelos usuários. A tão comentada barra de docks está presente na lateral esquerda do desktop. Muitos se perguntam o porque dessa posição. Creio que seja para centralizar todo o controle dos menus deste lado, já que o menu principal também está na esquerda.
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Nova área de trabalho do Ubuntu com Unity |
Outra mudança presente é a reformulação das barras. A barra inferior deixa de existir. A barra superior se funde à barra de títulos e funciona de modo híbrido, ou seja, a barra de menus passa a ser apresentada nesse espaço quando posicionamos a seta do mouse sobre ela. A mudança não é apenas estética, mas sim funcionalidade. Pensem comigo, porque exibir o tempo todo menus que não são utilizados a cada segundo? Porque não os exibir apenas quando são necessários? O resultado disso é um aumento bem significativo na área visível do desktop. Com isso a experiência de navegação na web e edição de textos melhorou e muito. Há uma sensação até de que a tela do meu notebook ficou maior :)
Ainda falando sobre a barra, os ícones possuem animações específicas. Ao clicar para abrir um programa fixo na barra, o ícone pisca e oculta a barra de docks ao se maximizar a janela. Para acessá-la, basta chegar o mouse no conto esquerdo. Ao abrir um novo programa, o seu ícone aparece até a metade para mostrar ao usuário onde encontrá-lo e se oculta. E se houver algum programa que requer interação com o usuário, o seu ícone aparece no canto esquerdo e "se chacoalha" para chamar atenção do usuário. Notei isso com o gerenciador de downloads do Firefox 4 ao finalizar um download. Muito interessante em termos de funcionalidades e visualmente é super agradável.
Há botões na barra de docks para exibir as áreas de trabalho virtuais, acessar aplicativos, ativar a busca e a lixeira. Novos ícones podem ser adicionados à barra. O menu principal agora trabalha bastante com busca de aplicativos e arquivos, como já acontece com Mac OS X e o Windows 7.
Ao pressionar ALT+F2 para abrir a caixa de executar comando, é apresentado um menu no mesmo padrão do menu de busca e ao digitar o comando, é feita uma busca instantânea do que está sendo digitado. Além disso são listados os últimos comandos digitados, o que agiliza muito comandos rotineiros.
O instalador possui novas telas de apresentação e uma alteração nesta nova versão é a possibilidade de atualizar o Ubuntu 10.10 a partir do live cd. Esta era uma opção que eu sentia muita falta. Quando utilizava os CDs antigos de instalação, hoje chamados alternates, eu achava muito prático para atualizar o sistema sem sobrecarregar tanto a internet. Porém fica uma sugestão minha para os desenvolvedores: impedir a atualização de versão quando são utilizadas plataformas diferentes. Ele me permitiu atualizar utilizando o instalador 32bit do Ubuntu 11.04, sendo que eu possuía a versão 64bit instalada. Isso provocou alguns erros no final da atualização e os aplicativos não foram restaurados.
Percebi outras falhas no menu de busca quando se utiliza caracteres ABNT2. Por exemplo, se você digitar "ç", "~" e outros caracteres do tipo, a acentuação falha, saindo antes da letra como se pode ver abaixo.
O Banshee estava todo em inglês, porém espero que até o lançamento esteja traduzido, visto que seu status de tradução no Launchpad é de 100% (
consulte aqui a lista de pacotes traduzidos). A primeiro momento o achei um pouco lento para indexar as músicas e o programa chegou a parar de responder em alguns momentos. Possuo cerca de 10GB de arquivos de música. Porém ao finalizar estava tudo listado na biblioteca e inclusive o Banshee baixou todas as capas dos álbuns. Ponto para o Banshee! Ele também está integrado com o menu de volume do Unity.
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Banshee entra em cena no lugar do Rhythmbox |
Outra alteração é substituição do OpenOffice pelo LibreOffice. Visualmente, com exceção dos logos e ícones, o programa é a mesma coisa que o OpenOffice. Porém notei que realmente ele carrega mais rápido. Um detalha interessante para o Brasil: escolhendo o idioma português do Brasil, automaticamente o OpenOffice é exibido como BrOffice, o que demonstra uma atenção especial com o Brasil.
O Ubuntu One agora está mais bem acabado e possui um painel de controle com todas as funções e configurações centralizadas. Nele você gerencia seus arquivos, o que será sincronizado com a nuvem, instala e habilita novos tipos de sincronização e muito mais. Há também opções de feedback pelo Twitter e pelo Facebook.
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Ubuntu One reformulado e com um ótimo painel |
A Central de Programas do Ubuntu agora possui suporte a avaliação dos softwares disponíveis, com pré requisitos de você já o ter instalado e possuir uma conta gratuita Ubuntu, a mesma do Launchpad. Muito útil não apenas para os desenvolvedores avaliarem os programas disponíveis, mas também para os usuários conhecerem a experiência de outros que baixaram o programa.
O GRUB agora está utilizando a resolução nativa da minha tela, mas ainda não possui personalizações gráficas do Ubuntu como visto em outras distribuições como openSuse e Fedora.
O Empathy, software padrão de mensagens instantâneas, agora possui suporte a status invisível no protocolo Google Talk. Isto resolve uma limitação chata da versão antiga e um bug quando se utiliza múltiplos protocolos, como Windows Live. Antes você definia o seu status global como invisível. Como o Google Talk não suportava este status, todas as contas, inclusive o Windows Live passavam para ocupado. Ainda não testei o suporte a conversa por áudio e vídeo, mas percebi que os mesmos estão presentes.
O desempenho do sistema no meu notebook de modo geral foi muito bom. O sistema inicia rápido, desliga em um piscar de olhos e não apresentou travamentos. A utilização de memória está praticamente a mesma que da versão anterior do Ubuntu.
Um detalhe que achei falho é a localização da opção de configurações do sistema. Esta está localizada no botão de desligamento, o que acho um erro de interface. Porque eu tenho que apertar um botão de desligamento para configurar o sistema? Seria mais interessante incluir um ícone na barra de docks.
Resumindo, esta versão está recheada de mudanças, quebrando diversos paradigmas e dará muito o que falar. Muita gente vai estranhar um pouco a nova interface, mas utilizando no dia-a-dia irá se acostumar. Agora se mesmo assim, você não gostar da nova interface, basta escolher na tela de logon do Ubuntu a opção de sessão Ubuntu Clássico. Ele carregará os menus clássicos do Gnome.
Pessoalmente, fiquei muito impressionado e entusiasmado com o Beta2. Vi um sistema ultra moderno com um foco em usabilidade da interface jamais visto em outras distribuições Linux. Não vejo apenas preocupação em personalizar artes, cores e papeis de parede. Vi uma preocupação enorme em usabilidade e experiência com o usuário. Tudo isso "me prende" ainda mais ao Ubuntu que já é minha distribuição padrão há mais de 6 anos.